
Túmulos de pessoas que morreram durante a pandemia de Covid-19 estão cobertos pelo mato no Cemitério Santo Antônio, em Porto Velho. A situação foi denunciada por leitores e levou a equipe do News Rondônia até o local, onde foi possível ver equipes iniciando a limpeza de uma das áreas mais movimentadas da capital.

Durante a visita, acompanhada pelo gerente da Divisão de Cemitérios, Tassiano José, trabalhadores terceirizados e servidores da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) estavam realizando roçagem e retirada de resíduos. A operação começou pelos fundos do cemitério e avança em direção à entrada, justamente onde ficam as sepulturas que motivaram a denúncia.

“Esse ano nós fizemos de forma diferente”, explicou Tassiano, ao detalhar que o trecho denunciado será atendido conforme o mutirão avança. Ele atribuiu o crescimento acelerado da vegetação às chuvas e afirmou que, em algumas áreas, o mato pode avançar cerca de dez centímetros por dia.

A prefeitura garantiu que a limpeza estará concluída antes do Dia de Finados, celebrado em 2 de novembro. A data é uma das mais movimentadas no Santo Antônio: segundo o gerente, o cemitério chega a receber cerca de 20 mil visitantes.
A limpeza do Cemitério Santo Antônio havia sido anunciada pelo News Rondônia em 8 de outubro. Na ocasião, a administração municipal informou que os serviços incluiriam roçagem, rastelamento e retirada de entulhos, com previsão de aproximadamente 20 dias para a conclusão.

Apesar dos trabalhos em andamento, a área apontada na denúncia ainda aguardava atenção durante a visita da reportagem, um cenário que reacende o desconforto de familiares que buscam preservar a memória de parentes mortos durante a pandemia.
Tassiano esclareceu que a responsabilidade pela conservação das sepulturas é das famílias. Segundo ele, a Prefeitura realiza a limpeza das vias, corredores e áreas comuns, mas não pode adentrar espaços cercados por grades.

O gerente orientou os familiares a procurarem o cemitério antes do Finados para verificar as condições dos túmulos. Para quem tiver dificuldade em localizar uma sepultura, a administração disponibiliza atendimento na entrada, com servidores e um livro de controle que auxilia na identificação do local de sepultamento.
“Nós temos servidores preparados lá na entrada”, afirmou.
Responsável por três cemitérios na capital e outros 11 nos distritos, Tassiano informou que o Santo Antônio reúne aproximadamente 160 mil pessoas sepultadas. Ele também confirmou que o cemitério está embargado: novos sepultamentos são aceitos apenas para famílias que já possuem gavetas no local. Os motivos e o alcance do embargo não foram detalhados durante a entrevista.

Ao final, o gerente mencionou a existência de um projeto para a criação de um novo cemitério municipal. Porém, não foram informados endereço, prazo de implantação nem previsão para o início das obras.
Enquanto isso, famílias seguem aguardando que a limpeza chegue às sepulturas de seus entes queridos, muitas delas marcadas por uma das fases mais dolorosas da história recente de Porto Velho.