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Entender o que se lê ainda desafia o país

Especialista explica como a interpretação de textos influencia o desenvolvimento cognitivo, a autonomia e o sucesso profissional

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
25/08/2026 às 17h28
Entender o que se lê ainda desafia o país
Foto Divulgação

Saber ler palavras é apenas o primeiro passo para compreender o que elas significam. No Brasil, apesar dos avanços nos índices de alfabetização, o analfabetismo funcional ainda é uma realidade preocupante. Segundo a última pesquisa do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), cerca de 29% dos brasileiros entre 15 e 64 anos eram analfabetos funcionais em 2024, ou seja, três em cada dez pessoas conseguem identificar palavras e frases curtas, mas não compreendem textos mais longos ou complexos.

A dificuldade de interpretação traz impactos diretos na vida cotidiana: compreender uma bula de remédio, interpretar uma notícia ou entender um contrato de trabalho se torna um desafio. Esse cenário reforça a importância de desenvolver a interpretação de textos desde a infância. Mais do que aprender a ler e escrever, é essencial formar leitores capazes de pensar, questionar e construir sentido a partir da leitura.

De acordo com Mariana Bruno Chaves, pós-graduada em psicopedagogia e especialista em educação na rede Kumon, "a interpretação começa muito antes da alfabetização formal. Quando a criança tem contato com histórias, amplia o vocabulário, aprende a identificar sentimentos, situações e ideias e, aos poucos, passa a compreender o mundo de forma mais ampla".

A especialista ressalta que o incentivo à leitura é um dos caminhos mais eficazes para o desenvolvimento do pensamento crítico. "Ler diferentes tipos de textos desperta a curiosidade e ajuda a criança a fazer conexões entre o que vive e o que lê. Esse processo amplia o repertório, estimula a reflexão e constrói as bases para uma aprendizagem mais sólida e autônoma", afirma.

Mariana também chama atenção para a influência das novas tecnologias sobre a escrita e a capacidade de expressão. "A evolução tecnológica trouxe recursos que facilitam a comunicação, como corretores automáticos, sugestões de palavras e mensagens de voz, mas, por outro lado, tem contribuído para que as pessoas se dediquem menos à escrita. Isso impacta diretamente a capacidade de organizar ideias e compreender mensagens mais complexas, o que se reflete até em interações simples do dia a dia", explica.

Segundo a especialista, o contato frequente com diferentes gêneros textuais, com o apoio da família, é determinante para despertar o gosto pela leitura e consolidar a formação de um cidadão ativo. "Ler é uma porta de entrada para a cidadania. É por meio da leitura que a criança compreende regras, direitos, responsabilidades e o valor da comunicação. Esse processo fortalece não apenas o pensamento crítico, mas também a empatia e a capacidade de diálogo", complementa.

Por fim, Mariana destaca que a capacidade de interpretar textos está diretamente ligada ao desenvolvimento profissional. "Compreender e aplicar informações de maneira crítica são competências cada vez mais valorizadas no mercado de trabalho. Saber interpretar dados, analisar contextos e se comunicar com clareza são diferenciais que nascem do hábito de ler e entender com profundidade", conclui.

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