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Gigante chinesa traz solução móvel para rejeitos ao Brasil

A mineração busca alternativas para ampliar a segurança e a eficiência na gestão de rejeitos. Nesse cenário, sistemas móveis de filtragem ganham es...

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
17/08/2026 às 10h57
Gigante chinesa traz solução móvel para rejeitos ao Brasil
Divulgação

A redução da dependência de barragens para disposição de rejeitos tornou-se uma das principais questões de engenharia da mineração brasileira. O movimento, acelerado pelas mudanças regulatórias dos últimos anos, trouxe uma nova discussão para as mineradoras: como fazer com que alternativas de disposição sejam não apenas tecnicamente possíveis, mas capazes de operar nos volumes, custos e índices de disponibilidade exigidos por grandes projetos.

Ao fim de 2025, o Brasil ainda mantinha 45 barragens construídas pelo método a montante enquadradas na Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB), segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM). O número corresponde a 9,6% das 470 estruturas enquadradas na política. Sete foram descaracterizadas ao longo do ano. O cronograma de descaracterização mantém investimentos em engenharia e tratamento de rejeitos no horizonte das mineradoras. Mas a questão vai além das barragens. Em novos projetos, retirar água dos rejeitos e encontrar formas seguras e economicamente viáveis para sua disposição também ganhou espaço nas decisões de engenharia.

É nesse contexto que a filtragem ganha importância. Depois do beneficiamento, o rejeito normalmente deixa a planta como uma polpa de sólidos e água. O filtro prensa separa essas fases sob pressão, produzindo uma torta com menor umidade e recuperando água que pode retornar ao processo industrial. A complexidade aparece quando esse princípio precisa ser reproduzido continuamente para tratar grandes volumes. Alimentação, bombeamento, filtragem, descarga e transporte precisam funcionar de forma coordenada e com disponibilidade compatível com uma planta industrial.

Uma das alternativas que chegam ao mercado brasileiro procura resolver outro componente dessa equação: instalar capacidade de filtragem sem necessariamente construir uma planta permanente para cada aplicação.

A chinesa JINGJIN Equipment apresentará na EXPOSIBRAM 2026, entre 24 e 27 de agosto, em Belo Horizonte, duas estações móveis de filtragem montadas sobre skids e em configuração sobreposta. O sistema tem como peça central um filtro prensa com até 550 m² de área filtrante e capacidade de alimentação de até 80 toneladas por hora. A diferença está menos no princípio da filtragem e mais na instalação.

Em vez de depender de uma estrutura civil permanente, filtro e equipamentos associados são montados em módulos, reduzindo a necessidade de fundações fixas e permitindo que a unidade seja transportada ou reposicionada conforme as necessidades da operação.

A mobilidade pode ser particularmente relevante quando a frente de trabalho se desloca ou tem prazo determinado, como em determinadas etapas de descomissionamento de barragens. Também permite adicionar capacidade a uma operação existente sem reproduzir toda a infraestrutura de uma instalação convencional.

Unidades móveis da JINGJIN já estão em funcionamento no país em operações de mineração no país: "O equipamento vem apresentando resultados expressivos de desempenho e disponibilidade física. Há aplicações em que construir uma estrutura permanente significa acrescentar prazo, obras civis e investimento a uma necessidade que pode mudar ao longo do projeto. A mobilidade permite tratar essa capacidade de outra maneira, sem alterar o princípio de funcionamento do filtro prensa", afirma Wesley Xavier, CEO da JINGJIN Brasil.

A filtragem também está ligada à busca por maior eficiência hídrica. Parte da água retirada da polpa pode retornar ao circuito industrial, enquanto a redução da umidade permite avaliar alternativas de disposição, como o empilhamento de rejeitos filtrados, desde que atendidas as condições geotécnicas e de segurança de cada empreendimento. Os resultados variam conforme mineralogia, granulometria, concentração de sólidos e umidade pretendida. Por isso, ensaios de filtrabilidade antecedem o dimensionamento industrial. No Brasil, a JINGJIN mantém em Nova Lima (MG) laboratório dedicado a esses testes.

A necessidade de integrar as diferentes etapas também está alterando a estratégia dos fabricantes. Conhecida principalmente pelos filtros prensa, a JINGJIN aproveitará a EXPOSIBRAM para ampliar no Brasil a oferta de equipamentos periféricos. O portfólio passa a incluir correias transportadoras, transportadores helicoidais, bombas e sistemas auxiliares, além de painéis elétricos e sistemas de controle. A companhia também apresentará uma Plunger Pump, bomba de alta pressão utilizada na alimentação dos filtros.

A estratégia é integrar uma parcela maior do circuito em uma mesma engenharia. Em projetos de grande porte, a capacidade deixa de depender apenas do filtro e passa a ser determinada pelo equilíbrio entre alimentação, filtragem, descarga e transporte. A discussão com as mineradoras está cada vez menos restrita ao filtro. "Em escala industrial, é preciso considerar alimentação, filtragem, descarga e transporte como um único processo. É a performance desse conjunto que determina o resultado", diz Xavier.

Fundada em 1988, a JINGJIN comercializa equipamentos em mais de 120 países. No Brasil, mantém sede em Nova Lima, com engenharia, pós-venda, estoque de peças, laboratório e assistência técnica.

A apresentação da solução ocorrerá durante a EXPOSIBRAM 2026, que terá a maior edição de sua história. Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), serão mais de 17 mil m² de área expositiva e 750 estandes. A expectativa é receber mais de 80 mil visitantes ao longo dos quatro dias. Realizado de 24 a 27 de agosto, no Expominas, em Belo Horizonte, o evento reúne mineradoras, fornecedores, investidores e especialistas e funciona como uma das principais vitrines para tecnologias, equipamentos e serviços destinados à indústria mineral no país.

O avanço da filtragem mostra que a discussão sobre rejeitos ultrapassou o equipamento isolado. Em escala industrial, segurança e desempenho ambiental precisam coexistir com produtividade e viabilidade econômica. No fim, a tecnologia será medida pela mesma equação que orienta os grandes projetos minerais: toneladas processadas, disponibilidade, água recuperada e custo operacional.

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