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Um milímetro.

Entre perdas, cansaços e pequenos respiros, um relato honesto sobre continuar mesmo quando a vida pesa além do que se imaginava.

Redação
Por: Redação Fonte: Enrico Pierro
30/03/2026 às 12h44
Um milímetro.
Foto: Reprodução

Eu não sei exatamente quando o ano começou a pesar. Talvez tenha sido em janeiro mesmo, quando a gente percebe que o réveillon só trocou o calendário, mas deixou os boletos… e eu perdi o meu pai. Talvez tenha sido em março, quando a vida resolveu testar meus limites como quem brinca de puxar elástico: mais um pouco e estoura. Ou pode ter sido naquele dia específico (sempre existe um) em que o corpo e o coração pedem um minuto de silêncio, mas o mundo não colabora.

O fato é: 2025 não foi um ano leve. Nem gentil. Nem paciente. Foi um ano que me pediu coisas que eu não tinha para dar. Forças que eu não sabia onde encontrar. Respostas que eu não fazia ideia de como construir.

E mesmo assim, no automático ou no milagre, eu fui. Porque a gente sempre vai, né? Cansado, mas vai. Quebrado, mas vai. Às vezes funcionando só na força da fé e na teimosia de não desistir, porque desistir, no fim das contas, nunca foi uma opção muito viável.

Eu terminei dias segurando o mundo com a ponta dos dedos. Outros, segurando lágrimas no canto do olho. E alguns poucos, segurando risos que apareceram no meio do caos, como quem encontra uma moeda no chão e pensa: ok, talvez ainda tenha alguma coisa boa aqui.

E é nessas pequenas coisas que percebo: a vida não precisa estar funcionando para continuar. E nós também não. Às vezes basta sobreviver ao dia. Atravessar a noite. Aceitar que não é bonito, não é poético e não é instagramável, mas é real.

E talvez seja isso que eu mais levo deste ano: a noção de que a gente não precisa estar no auge, iluminado, pleno. Às vezes só precisamos estar aqui. Respirando. Tropeçando. Levantando mais uma vez, ainda que seja no improviso.

O próximo ano não vai consertar nada por mágica. Eu já fiz as pazes com isso. Mas ele pode, quem sabe, trazer algum alívio. Uma fresta. Um respiro. E, se não trouxer, eu sei que eu vou dar um jeito, como sempre dei.

Porque no fim, mesmo cansado, mesmo machucado, mesmo com tudo fora do lugar… eu continuo acreditando. Na vida, em Deus, e nessa força estranha que aparece quando eu acho que acabou.

E se tem uma coisa que eu aprendi, é que a gente nunca está tão no chão quanto pensa. Sempre existe um milímetro que dá para levantar dali. E se eu continuo, é também por quem já não está, porque carregar a memória é outra forma de seguir vivo.

@enricopierroofc

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Reflexões do Enrico Pierro
Reflexões do Enrico Pierro
Bio do Colunista:

Carlo Enrico C Pierro ou Enrico Pierro. Nascido na década de, quando o celular foi inventado e o videogame ainda era o Atari, escreve desde pequeno. Já quis ser cientista, astrônomo, médico, advogado, astronauta e até hoje ainda não descobriu o que quer. Virou escritor de tanto desabafar escrevendo e é autor do livro As marés do meu ser, pela editora ipê das letras. O típico nerd que tirava boas notas, mas não se comportava em aula. Filho de pais sensacionais, se desenvolveu intelectualmente na mesa de jantar, onde se sentia mais à vontade por ser um taurino nato. Come mais do que fala e fala mais do que dorme, ama quebra-cabeças e jogos de celular. Tem preguiça de andar a pé e toma ansiolítico para não tremer igual um pinscher. É feliz escrevendo.

Bio da Coluna: reflexões de enrico pierro.

Em sua coluna de reflexões, enrico pierro convida os leitores a uma jornada pelos sentimentos, questionamentos e observações que permeiam o dia a dia. Com uma escrita envolvente e sensível, enrico traduz o ordinário em poesia e filosofia, oferecendo uma nova perspectiva sobre temas como relações humanas, desafios da vida moderna, e os mistérios do nosso interior. Cada coluna é uma oportunidade de refletir, inspirar e, acima de tudo, enxergar a beleza escondida nas pequenas coisas. Aos 38 anos, escritor e comunicador, enrico já publicou o livro As Marés do Meu Ser e colabora em outros veículos de comunicação, sempre com um olhar atento e profundo sobre assuntos que muitas vezes não são tratados em espaços mais formais.

redes sociais:

@enricopierroofc (Instagram, TikTok, X e Threads) e em seu blog: https://enricopierro.com.br/
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