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Coletivo Educação pela Arte comemora 10 anos com mostra

Programação reúne os grupos Camerata Caipira, Trio Baru, Circo Rebote e artistas convidados em três dias de atividades gratuitas que celebram dez a...

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
12/03/2026 às 17h30
Coletivo Educação pela Arte comemora 10 anos com mostra
Crédito: Miguel Armond

De 13 a 15 de março, a Sala Multiuso do Espaço Cultural Renato Russo se abre como território de partilha. Música, Circo, Dança, Teatro de Mamulengo conduzem a I Mostra Coletivo Educação pela Arte, em uma programação que reúne espetáculos, oficinas e ações voltadas a estudantes da rede pública e ao público em geral.

A iniciativa celebra uma década de trajetória do coletivo brasiliense e apresenta ao público a síntese de um trabalho construído a muitas mãos: artistas de diferentes linguagens que encontraram na arte um caminho comum para dialogar com escolas, famílias e comunidades do Distrito Federal.

Entre concertos para jovens e adultos, espetáculos para crianças e atividades formativas, a programação revela a essência do coletivo — a arte como experiência compartilhada e ferramenta de transformação social.

A Mostra nasceu a partir da conquista do prêmio Cultura Viva no âmbito da Lei Paulo Gustavo, que certifica o coletivo como Ponto de Cultura. Segundo o músico Nelson Latif, integrante do coletivo, a decisão foi transformar o reconhecimento em encontro com o público. "Queríamos que esse prêmio se convertesse em experiência concreta. A Mostra surge como essa partilha, reunindo todos os artistas em seus trabalhos de origem", afirma.

Para ele, o momento marca também um novo ciclo. "Estamos celebrando uma década de atividades e reafirmando nosso compromisso com a arte-educação", acrescenta.

A escolha do Espaço Cultural Renato Russo carrega dimensão simbólica. "Brasília é nossa cidade. Muitos de nós nascemos aqui, outros fizeram daqui sua casa. O Renato Russo é um espaço de todos, um espaço com a cara da cidade. A escolha foi natural", completa Latif.

Programação plural, públicos diversos
A sexta-feira (13), às 14h, abre a programação com oficinas de dança, percussão e circo e em seguida uma sessão do espetáculo multiartístico Caravana da Criança, que integra música, contação de história e linguagem circense, destinada exclusivamente a estudantes de escolas públicas do DF (atividades fechadas por agendamento prévio com direção das escolas). À noite, às 20h, a Camerata Caipira realiza concerto, com repertório de cultura popular, aberto ao público geral.

No sábado (14), às 17h, o público confere É o Bicho!, montagem cênico-musical da Camerata Caipira com direção de Andrea Jabor. O espetáculo propõe um mergulho sonoro, visual e poético pelo Cerrado, colocando crianças e famílias em contato com a fauna brasileira por meio de composições autorais que dialogam com a cultura brasileira em linguagem contemporânea.

Às 20h, o Trio Baru celebra 25 anos de trajetória. Formado por Nelson Latif, Bosco Oliveira e Sandro Alves, o grupo integra a cena da música instrumental acústica no Distrito Federal e já se apresentou em palcos brasileiros e no exterior. Neste concerto comemorativo, recebe como convidado especial o percussionista Ismael Rattis.

No domingo (15), às 17h, a Caravana da Criança retorna ao palco, com apresentação aberta ao público, encerrando a programação. O espetáculo multiartístico integra música, contação de histórias, dança e circo, reunindo artistas da Camerata Caipira, Circo Rebote, Trio Baru e Teatro Mamulengo com Davi — o Desconhecido.

Arte que dialoga com a escola
Para Ismael Rattis, músico e artista integrante do coletivo, o amadurecimento do grupo ocorreu tanto no campo artístico quanto no pedagógico. "Ao longo dos anos, fomos compreendendo melhor as metodologias e as possibilidades dentro das escolas. Buscamos integrar nosso trabalho ao cotidiano dos professores, criando conteúdos que possam continuar sendo explorados em sala", explica.

Segundo ele, a proposta é aproximar aprendizado e experiência sensível. "Quando vamos à escola, os estudantes podem tocar instrumentos, participar das oficinas, ver o circo acontecer, conversar com os artistas. A arte deixa de ser algo distante e passa a ser vivida ali, no território deles".

Rattis destaca ainda o valor do fazer artístico em conjunto. "Tocar em grupo exige escuta. Você ajusta o volume, respeita o espaço do outro, busca sincronização. A música é um exercício de convivência, e isso ajuda a pensar o mundo de maneira mais colaborativa", complementa.

Política cultural e território
A diversidade de trajetórias é uma das marcas do grupo. Artistas ligados à cultura popular, à música instrumental, ao circo e à literatura constroem uma linguagem híbrida, capaz de dialogar com diferentes faixas etárias.

Para Isabella Rovo, integrante do coletivo, a realização da mostra evidencia a importância das políticas públicas culturais. "Esses projetos só acontecem porque existem leis de incentivo. Os recursos vêm dos impostos pagos pela população e se convertem em acesso à cultura. Trata-se de uma política pública que garante circulação e formação", diz a artista.

Ela ressalta o impacto nas regiões periféricas do Distrito Federal. "Muitas crianças não frequentam o teatro com suas famílias. Quando conseguimos levar a arte para dentro das escolas, ampliamos horizontes e contribuímos para a formação de público. E fazemos isso em diálogo, respeitando a arte que já existe nas comunidades".

O coletivo foi reconhecido oficialmente dentro da Política Nacional Cultura Viva, que completa 20 anos, consolidando sua atuação voltada à valorização das manifestações culturais populares e tradicionais.

Trajetória compartilhada
A programação apresenta, em um mesmo palco, as diferentes vertentes que compõem o repertório do grupo. "É realmente uma mostra no sentido amplo, com todos os artistas envolvidos e atuando em suas linguagens", observa Nelson Latif.

Para Ismael Rattis, a longevidade do grupo está na escuta e no respeito mútuo. "Não somos um grupo perfeito, mas somos um grupo que aprende junto. Às vezes algo não sai como planejado, mas a gente se reorganiza e segue. O respeito pelas trajetórias individuais é o que mantém o trabalho vivo", frisa.

Ao completar uma década de atuação, o Coletivo Educação pela Arte reafirma seu propósito: fazer da arte um espaço de encontro, formação e transformação, conectando palco, escola e território em uma mesma experiência.

Serviço:
Evento: I Mostra Coletivo Educação pela Arte
Data: de 13 a 15 de março
Local: Espaço Cultural Renato Russo – Brasília/DF

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